O Deus da nossa salvação

Andrew Murray (1828-1917)

“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação” (Salmo 62:1).

Se a nossa salvação vem de Deus e é uma obra inteiramente Dele, assim como foi na criação, então, como consequência, nossa primeira e suprema obrigação é esperar nEle para realizar aquilo que O agrada. Esperar se torna o único meio para a experiência da plena salvação, verdadeiramente o único caminho para conhecer Deus como o Deus da nossa salvação.

Todas as dificuldades, que surgem para nos afastar da plena salvação, têm uma raiz: a escassez de conhecimento e prática no esperar em Deus. Para a manifestação do grande poder de Deus no mundo, toda a Igreja precisa retornar ao lugar correto que nos coube, tanto na criação como na redenção, que é o lugar de absoluta e incessante dependência de Deus.

Vamos observar quais são os elementos que tornam esse mais abençoado esperar em Deus em algo tão necessário, e assim seremos ajudados a descobrir as razões pelas quais essa graça é tão pouco cultivada. Também poderemos sentir quão infinitamente desejável é que a Igreja, que somos nós, conheça, a qualquer preço, esse bendito segredo.

A profunda necessidade desse esperar em Deus se apóia tanto na natureza do homem, como na natureza de Deus. Deus, como Criador, formou o homem para ser um vaso no qual Ele pudesse demonstrar Seu poder e bondade. O homem não teria em si mesmo a fonte de vida, de força ou de felicidade. O único que tem a vida eterna deveria ser o Comunicador ao homem de tudo aquilo que ele precisasse. A glória e bênção do Homem não se resumia no fato dele ser independente ou dependente de seus recursos naturais, mas que fosse dependente do Deus das infinitas riquezas e amor. O homem alegrar-se-ia em receber, a cada momento, a plenitude que viria de Deus. Essa seria a bem-aventurança da criatura não caída.

Quando caiu, o homem deveria ter se tornado ainda mais absolutamente dependente de Deus. Não existia a menor esperança de restauração do seu estado de morte, a não ser que fosse em Deus e em Seu poder e misericórdia. Foi Deus Quem começou a obra da redenção; e é somente Ele que a leva adiante a cada momento, em cada indivíduo que nEle crê. Até mesmo o homem regenerado não tem poder de fazer o bem residente em si mesmo. O que ele tem ou não depende de receber do alto a cada momento. Esperar em Deus é tão indispensável, e deve ser tão contínuo e permanente, como o respirar que sustenta a vida natural.

Por não percebem que sua relação com Deus está absolutamente pobre e impotente, ps cristãos não têm o senso da necessidade de absoluta e incessante dependência ou da bênção indizível do contínuo esperar em Deus.

Mas, ao começar a perceber sua situação e a dar espaço ao Senhor, o cristão receberá, por meio do Espírito Santo, a cada momento, aquilo que Deus realizou. Esperar em Deus se torna na sua mais ilustre esperança e alegria.

À medida que percebe que Deus, em sendo Deus, em sendo o próprio Infinito Amor, se deleita em repartir com Seus filhos a Sua própria natureza, o mais plenamente possível, e percebe que Deus não se cansa de assumir, a cada momento, a responsabilidade da sua vida e força, o cristão se surpreende em como pôde ter vivido de maneira diferente, não vendo Deus como Aquele em Quem pode esperar o dia todo.

Deus incessantemente dando e trabalhando, Seu filho incessantemente esperando e recebendo: essa é a vida abençoada.

“Verdadeiramente minha alma espera em Deus; porque Dele vem a minha salvação”. Primeiro esperamos em Deus para salvação. Então aprendemos que salvação é apenas um meio para nos conduzir até Deus e nos ensinar a esperar nEle. Assim, encontramos aquilo que é ainda melhor. Esperar em Deus é essencialmente a mais plena salvação. É atribuir a Ele a glória de ser Tudo. É experimentar que Ele é tudo para nós.

Possa o Senhor nos ensinar a bem-aventurança de esperar nEle.

Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa”.

Extraído do texto homônimo do livro “Waiting on God” (dia 1) de Andrew Murray.

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