O Fruto da Comunhão com Deus em Oração

O artigo “O fruto da comunhão com Deus em oração” é uma compilação de extratos selecionados da “Autobiografia de George Müller”. Livro publicado pela Editora Ide (esgotado).

George Müller (1805-1898)

“Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9:16)

Recentemente mudei minha opinião sobre o melhor método de preparação para a ministração pública da Palavra. Ao invés de presumir saber o que é melhor para os ouvintes, eu peço ao Senhor que graciosamente me ensine o assunto sobre o qual deva falar, ou o trecho de Sua palavra que eu deva explicar. Algumas vezes tenho um assunto específico ou uma passagem na mente antes de Lhe pedir. Caso, após ter orado, sinta-me persuadido a falar sobre aquele assunto, eu o estudo, mas ainda fico aberto ao Senhor para muda-lo, caso Lhe agrade.

Frequentemente, entretanto, não tenho nenhum assunto em mente antes de orar. Neste caso, espero sobre meus joelhos por uma resposta, tentando ouvir a voz do Espírito a me dirigir. Então, se uma passagem de um assunto me vem à mente, pergunto novamente ao Senhor se esta é a Sua vontade. Algumas vezes pergunto repetidamente, especialmente se o assunto do texto for difícil. Caso, após a oração, minha mente esteja em paz, considero este como sendo o texto. Mas ainda coloco-me à disposição do Senhor para me dirigir, no caso Dele decidir alterá-lo, ou se eu estiver enganado.

Às vezes não me ocorre nenhum texto após orar. No princípio eu ficava intrigado, mas aprendi a simplesmente continuar minha leitura regular das Escrituras, orando por um texto enquanto leio. Já tive que ler cinco, dez, até vinte capítulos antes que o Senhor me desse um texto. Muitas vezes tive até que ir ao local de reunião sem um assunto. Mas eu sempre o obtive, mesmo que apenas alguns minutos antes de falar.

O Senhor sempre me ajuda quando estou pregando, contanto que eu O tenha buscado resolutamente em particular. Um pregador não pode conhecer os corações dos indivíduos na congregação, ou o que eles precisam ouvir. Mas o Senhor sabe, e se o pregador renunciar à própria sabedoria, será ajudado pelo Senhor. Mas se ele estiver determinado a escolher um assunto na sua própria sabedoria, não deve se surpreender por ver pouco fruto resultante de seus trabalhos.

Quando obtenho um texto, no modo acima, seja um verso ou todo um capítulo ou mais, peço ao Senhor para graciosamente me ensinar por Seu Espírito Santo, enquanto medito sobre as passagens. À medida que a Palavra se abre para mim, tomo notas para ver o quanto compreendo a passagem. Também é útil referir posteriormente o que escrevi.

Raramente uso qualquer outro auxílio de estudo além das Escrituras e algumas boas traduções em outras línguas. Minha principal ajuda é a oração. Quando estudo uma única parte da verdade divina, sempre ganho alguma luz após oração e meditação. A oração extensiva é frequentemente difícil por causa da fraqueza da carne, enfermidades e horário carregado. Mas ninguém deveria esperar ver muito benefício resultante de suas obras se não gastar tempo em oração e meditação.

Eu, então, me entrego inteiramente nas mãos do Senhor, pedindo a Ele para me trazer à mente o que aprendi no meu quarto, em oração. Ele fielmente atende o meu pedido e, com frequência, ensina-me ainda mais enquanto estou a pregar. A preparação para a ministração pública da Palavra é até mais excelente do que a pregação. Viver em constante comunhão com o Senhor, e estar habitual e frequentemente em meditação sobre a verdade é a própria recompensa.


George Müller (1805-1898) e sua esposa Mary Groves começaram um orfanato em 1836 em sua própria residência, inicialmente para 30 crianças. O trabalho continuou a crescer. 21 anos depois, 5 orfanatos haviam sido criados, com capacidade para alojar quase 2.000 crianças. Aproximadamente 10 mil órfãos foram cuidados por esse ministério. O trabalho de Müller foi a prova da providência de Deus, suprindo-o em todos os momentos. Muitas vezes, faltando comida para dar as crianças, recebia horas antes das refeições doações anônimas para eles. Nessas casas, as crianças recebiam uma boa educação, boa comida e boas roupas, levando consigo Bíblias quando as deixavam. Ele nunca pediu dinheiro (ofertas) para ninguém, crendo que era o Senhor que sustentaria a Sua obra. Nunca recebeu salário nos últimos 68 anos do seu ministério, não contraiu nenhum empréstimo, nem mesmo se endividou. O Senhor sempre supriu as suas necessidades e as das crianças do orfanato.

O trabalho do irmão George Müller influenciou muitos ao redor do mundo. Para se ter uma ideia, em 1834, antes do início do orfanato do irmão Müller, havia em toda a Inglaterra acomodações para 3.600 órfãos e o dobro de crianças com menos de oito anos estavam na prisão. 50 anos depois que começou seu trabalho, a realidade da Inglaterra mudou: cerca de 100 mil órfãos eram atendidos naquele país.

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