A Criação do Belo é a tradução livre de um poema extraído do livro homônimo (The Making of the Beautiful), the Rowland V. Bingham. Publicado e disponibilizado por The Middletown Bible Church.
Annie Johnson Flint (1886-1932)
Introdução de Rowland V Bingmam
Sua vida, na melhor das hipóteses, teria sido vestida de um monótono cinza, não fosse o toque de Deus.
Seus quase quarenta anos passados como “reclusa” dentro de quatro paredes, com a ocasional interrupção de uma excursão em uma cadeira de rodas, teriam atingido apenas uma cor. E qualquer expressão sonora teria sido monocromática. Em um de seus poemas, ela se comparou à samambaia na esfera das flores, destinada com seu verde vivo a iluminar a sombra da floresta. Mas o ponto mais alto que seu gênio poético poderia ter alcançado neste reino teria lhe concedido apenas uma coroa de “avencas”.
Mas o toque do Todo-Poderoso fez algo mais do que isso por ela: mais do que realizar o objetivo de sua canção, que retrata “A Alma” emergindo da lama e do lodo do submundo até que seu branco e amarelo floresçam na borda da água.
Achamos que sua história de vida é melhor apresentada, como certamente foi caracterizada, por seu adorável poema, “A Criação do Belo”, pois Deus tomou esta vida em sua sombra incolor e sua tristeza, e a tocou com todos os tons do arco-íris. Então, Ele fez sua monotonia explodir em tons cujas harmonias abençoaram o mundo em sua mistura das notas mais elevadas e profundas da experiência humana. A poesia “A Criação do Belo” pode te mostrar as primeiras impressões e resposta de Annie ao toque da Mão Mestra.
A Criação do Belo
Prado, vale e montanha,
Oceano, lago e bosque,
Deus olhou para o fruto do Seu trabalho
E viu que Sua obra era boa;
E ainda assim algo faltava
No mundo que Ele havia criado,
Algo para iluminar o verde,
E para clarear a sombra.
Ele pegou um fragmento do arco-íris,
Um pedaço do ouro do sol,
As cores de todas as joias
Ocultas nas minas da terra,
Um pedaço da névoa da tarde
Com o pôr do sol entrelaçado,
Um pedaço do céu ao meio-dia,
Um azul claro e sem nuvens;
Delas, Ele moldou as flores,
Algumas vermelhas, como a rosa,
Outras de um lindo azul-celeste,
E ainda pálidas como a neve;
Algumas, em forma de um cálice de fada,
Para mel perfumado segurar,
Outras eram estrelas de prata,
Ou eram flocos de ouro.
Elas brilhavam na escuridão das florestas,
Se agarravam aos galhos das árvores,
Escondidas na grama dos prados,
Se afastavam na brisa,
E caíam nas fendas dos cânions
No alto das montanhas nuas,
Onde nenhum olho jamais as veria
Exceto Aquele que as fez belas.
* * * * * * * *
Mas ainda faltava algo,
Seu trabalho ainda não estava concluído;
ele reuniu mais cores
Do arco-íris, do céu e do sol,
E agora a estas Ele adicionou
A música do mar e da terra,
A melodia do rio ondulante,
O bater das ondas na areia,
A cadência das gotas de chuva,
O suspiro cantante do pinheiro,
O babulciar do álamo,
A canção de ninar suave do vento,
O leve flauta das vozes dos anjos
Das cortes celestiais distantes,
E os ecos mais suaves e oníricos
Da canção da estrela da manhã.
Então, habilmente, Seus dedos moldaram
As coisas fortes e delicadas
Instinto com a alegria e a beleza
Da canção e das asas planantes;
Rouxinol, garça e gaivota,
Pássaro-do-junco, cotovia – e então,
Acho que Ele sorriu um pouco
Enquanto inclinava a cauda da carriça,
Enquanto tornava o rosto da coruja solene
E torcia a crista do gaio-azul,
Enquanto dobrava o bico do papagaio
E alisava a túnica do papa-figo,
Enquanto polia a plumagem azeviche do corvo
E o peito vermelho do tordo;
“No frio da primavera do norte
As crianças vão adorar”, disse Ele.
Então alguns eram excêntricos e astutos,
E alguns eram apenas bons,
E a alguns Ele deu uma canção,
E eis os pássaros do ar.
E dos fragmentos de coisas que sobraram,
Ele lançou debaixo dos céus,
Onde, caindo, esvoaçando, voando,
Vejam, eis as borboletas!
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Quem foi Annie Johnson Flint (1866-1932) – Órfã durante a infância e adotada pela família Flint, que a conduziu a Cristo e concedeu uma infância feliz. Ainda jovem, desenvolveu uma forma grave de artrite reumatoide. Suas mãos ficaram desfiguradas, seu corpo retorcido, e ela raramente conseguia dormir devido ao extremo desconforto que sentia nas articulações. Mas, apesar dessa condição de saúde, Cristo a usou para compor poemas que refletiam seu amor pela criação, sua confiança em Deus e anelo pela volta do Senhor. Honesta sobre as dificuldades da vida, Annie elevava o coração de seus leitores acima do momento presente, permitindo-lhes vislumbrar o amor inabalável e a sabedoria soberana de Deus em suas provações.







