A Grande Pergunta e o Segredo da Graça

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E. W. Bullinger

“Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tiago 5:11).

Todos temos “ouvido da paciência de Jó”. Mas a grande pergunta é: será que vimos “o objetivo” do Senhor por meio de todos os Seus tratos com ele? Em nossa leitura desse livro devemos ter em mente que, independente de qualquer coisa que esteja sendo dita e quem quer que esteja falando,  tudo se refere à uma pessoa e está designado para trazer à luz um “propósito”.

O livro de Jó é composto por 42 capítulos, todos relacionados à uma pessoa e dirigidos à um “propósito” – “o fim que o Senhor lhe deu“. Para tanto, vemos os Céus, a Terra e o Inferno. Temos Jeová, Satanás, os Caldeus, os Sabeus, fogo do céus, vento no deserto, os amigos de Jó, sua esposa, seus filhos, tudo e todos envolvidos para assegurar aquele “propósito”.

Já é bem difundido e aceito o fato desse livro ser muito antigo. Provavelmente ele está relacionado ao período coberto pelo livro de Gênesis e, possivelmente, o tempo em que viveu o patriarca Abraão. Sua lição, entretanto, é a mais antiga que poderíamos receber, nos trazendo de volta à primeira lição encontrada na Bíblia.

Em Gênesis 1 e 2 temos a criação do homem. Em Gênesis 3, temos a descrição da queda do homem. Esse capítulo se encerra com a afirmação de que o homem foi banido do Jardim do Éden em julgamento (vs 24). Então, em Gênesis 4, temos nada menos que o caminho de volta para Deus por meio da graça. O caminho de Deus, tomado por Abel, e o caminho do homem, inventado por Caim.

Esta é, portanto, a lição mais antiga do mundo. É a primeira grande lição, posicionada nas primeiras linhas da revelação Divina. A lição do livro de Jó segue imediatamente essa lição de Gênesis e a expande ao responder a solene pergunta: “Como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9:2).

Essa não é apenas a pergunta mais antiga, mas a mais importante a ser aprendida por cada um de nós. Se não aprendermos essa lição, não importa aprender mais nada. Nosso conhecimento pode ser vasto, extensivo e profundo em outros assuntos, mas não vai nos levar além do túmulo. O conhecimento dessa lição, por outro lado, vai nos servi para a eternidade, e vai assegurar eterna bênção e felicidade. Não é de se estranhar que essa tão antiga lição esteja colocada logo na abertura da Palavra de Deus, seguindo imediatamente o registro da Queda. Temos então ali o fundamento do Evangelho seguramente estabelecido.

O Segredo da Graça

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente” (Jó 1:1-5).

Nos versos acima, em poucos versículos sabemos tudo sobre a pessoa de Jó:

  • Onde Ele viveu
  • O que ele era
  • O que ele tinha
  • O que ele fez
  • O que ele disse

A palavra diz que ele era perfeito. A palavra hebraica usada é ‘tamé’, que representa um tipo de conhecimento que teme ao Senhor e se aparta do mal. Entretanto, Jó não possuía o verdadeiro conhecimento, que é aquele que justifica a Deus e condena o ego.

O verdadeiro conhecimento é ter “um coração quebrantado” e um “espírito oprimido” [Sl 34:18]. Esses são os sacrifícios nos quais  Deus se compraz e, fora deles, toda a ” sabedoria” e demais sacrifícios são inúteis. Até que o homem possa conhecer essas coisas, ele não pode conhecer nem a Deus nem a ele mesmo.

Ensinar a Jó essa importante lição é o “propósito” de tudo o que vemos nesse livro. Tudo é feito e dito com a intenção de fazer em Jó:

O que a “grande fome” fez com o filho pródigo (Lucas 15).

O que a outra “grande fome” fez com os irmãos de José (Gênesis 44:16).

O que a “parábola de Natã” fez com Davi (2 Samuel 12:1-13).

O que a “gloriosa visão” fez por Isaías (cap 6:1-5) e por Daniel (cap 10:1-8).

O que o “maravilhoso milagre” fez por Pedro (Lucas 5:1-8).

A mesma obra deveria ser feita em Jó, e o mesmo resultado precisava ser produzido:

Assim como o filho pródigo confessou: “Pequei”;

Os irmãos de José reconheceram: “Achou Deus a iniquidade de teus servos”;

E Davi disse: “Pequei contra o Senhor”;

E Isaías confessou: “Estou perdido…impuro”;

E Daniel declarou: “Minha beleza se tornou em corrupção” [tradução King James];

Assim, Jó precisou ser trazido à posição em que podia dizer: “Sou indigno” (40:4), “Me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (42:6).

Esse é o “fim do Senhor”, e o próprio Senhor precisa ser o professor dessa lição Divina.

Tudo isso é muito diferente de “religião”. Religião é uma tentativa do homem de se tornar justo pela moralidade e por meio de ordenanças, mas a partir do momento em que Deus produz um espírito contrito e um coração quebrantado, o pecador é erguido completamente para fora da esfera da religião e se torna possuidor da “justiça de Deus”.

O livro de Jó, portanto, é a ilustração e o alargamento espiritual da mais antiga lição do mundo, que foi primeiramente ensinada em Gênesis, nos capítulos de 1 a 5. Essa é uma lição objetiva e coloca diante dos nossos olhos a resposta Divina para a maior pergunta do homem – a pergunta do livro:

“Como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9:2)

A primeira vez que Deus fala com o homem depois da queda, Ele demonstra isso em Sua curta pergunta: “Onde estás?” (Gênesis 3:9). Ali vemos como Ele nos confronta com a condição de desamparo do homem.

Essa é a primeira grande lição que o homem precisa aprender, e sua tentativa de responder a essa grande pergunta é o que forma o primeiro passo de sua obtenção da verdadeira “sabedoria”.

A primeira pergunta feita na Bíblia serve para revelar ao homem sua condição de desamparo e perdição; e quando ele descobre isso, ele faz a primeira pergunta registrada no Novo Testamento, que expressa essa convicção, quando ele clama: “Onde Ele está?” (Mateus 2:2). Onde está o Salvador que o Senhor proveu para os pecadores perdidos? Onde está o Salvador que o Senhor deu e enviou?

A resposta é a da pergunta mais antiga do mundo: Jeová habita apenas com “o contrito e abatido de espírito” (Isaías 57:15); apenas com esse homem Ele pode habitar. Ele diz: “mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra” (Isaías 66:2).

O “fim do Senhor” não tinha em vista ensinar meramente a Jó o que o homem e o mundo eram em realidade. O quão enganoso é o homem e o quão vazio é o mundo são coisas logo descobertas por todos nós. Não é necessário um processo Divino especial para aprender tais lições.

Os homens que lisonjeavam a Jó em sua prosperidade foram os mesmos que o trataram com insolência em sua adversidade (veja os capítulos 29 e 30).

Aqueles que clamavam “Hosana, Filho de Davi” também clamaram “Crucifica-o” alguns dias depois.

Quando o filho pródigo tinha muito para gastar, ele também tinha muitos a sua volta para usufruir junto com ele do seu dinheiro, mas quando começou a pedir, “ninguém lhe dava nada” (Lucas 15: 13,16).

É muito triste conhecer a infidelidade do homem, se não conhecemos previamente a fidelidade de Deus.

Algo muito precioso que devemos ver, assim como ouvir, é sobre “o fim do Senhor”, sobre o Seu propósito; e como “o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo”. Isso só pode ser visto por aquele que já foi quebrantado e que tem um espírito contrito sob Sua poderosa mão.

Finalmente, devemos nos lembrar que Aquele que acaba essa abençoada obra é o mesmo que a iniciou. Ele começou com uma pergunta ao adversário no primeiro capítulo, e Ele mesmo a acaba com uma bênção dobrada no último.

“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6).

“Porque eu, o SENHOR, não mudo…” (Malaquias 3:6)

Esse é o nosso Deus!

Texto baseado nas páginas 1 a 7 do Livro “The Book of Job”, the E.W. Bullinger.

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