Deus Escolheu as Coisas Fracas

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T. Austin-Sparks (1888 – 1971)

“Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” (Lucas 1:52,53).

Existe algo muito incomum a respeito do nosso grande Mestre Jesus. Você já notou o tipo de discípulos que Ele escolheu? Por que será que o Senhor escolheu esse tipo de discípulos? Eles não eram grandes eruditos da época, tampouco tinham diplomas universitários. Penso que poderíamos chamá-los de um pobre lote, com pouca capacidade intelectual. Eles sempre entendiam errado o que o Senhor falava, ou falhavam em compreender o ponto a que Ele se referia. Sempre se esqueciam das coisas que Ele tinha falado, por isso, Ele os relembrava delas mais à frente, ou essas coisas eram trazidas à luz novamente pelo Espírito Santo.

A descrição de Paulo feita aos cristãos de Corinto encaixa bem nesses discípulos: “não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento… Deus escolheu as coisas loucas do mundo… e escolheu as coisas fracas do mundo” (1 Co 2:26,27). Essa não é a forma de agir do mundo. Você não teria nenhuma chance em alguma posição elevada neste mundo hoje, se fosse um Pedro, um Tiago ou um João.

Por que o Senhor escolheu esses homens? Porque havia muito espaço neles para aquilo que Ele iria trazer. Eles não eram plenos ou fortes. Em certo sentido, eles deram ao Senhor uma grande oportunidade de colocar dentro deles o que não tinham. O povo que tinha tudo no tempo de Cristo nunca alcançou nada. Você sabe quão verdadeiro isso foi! “Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos” [Lc 1:53].

Isso é algo que devemos aprender, porque uma das coisas que devemos deixar lá no vale, quando subimos a montanha, é a nossa ignorância. Você pode dizer: “Ignorância significa não saber”, mas pense melhor… Qual é a marca da ignorância? Ela é: “Eu já sei tudo”, não é verdade? O povo verdadeiramente ignorante é aquele que pensa que já sabe tudo.

Me lembro de uma certa senhora que conheci há alguns anos. Não me considero um grande mestre, mas para cada frase que eu proferia, ela dizia: “Eu sei! Eu sei disso!” Seria muito bom se a vida dela fosse um reflexo daquele conhecimento, mas tudo apontava para o contrário. Você não chegaria a lugar algum com essa preciosa irmã, por causa do “Eu sei! Eu já sei!”

A marca da ignorância é saber tudo, e essa é uma das coisas que devemos deixar para trás ao subir a montanha [essa palavra foi entregue em uma conferência nas montanhas da Suíça]. Devemos ser ensináveis, vazios, fracos, tolos aos nossos próprios olhos, simplesmente ninguém. A Escola de Jesus Cristo é cheia de pessoas assim, e é por isso que Ele escolheu aqueles discípulos. Vamos nos lembrar que somos Seus discípulos, e que ainda temos tudo a aprender. Realmente entendemos muito pouco do Senhor Jesus, mas Ele está no nosso meio como nosso Raboni, nosso grande Mestre, e acredito que Ele vai Se revelar a nós, se nossos corações estiverem abertos para Ele.

Extratos do capítulo 1 do livro “Discipulado na Escola de Cristo” de T. Austin-Sparks.

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